Na minha visão a palavra ego, por si só, já atrai uma atenção negativa. Tenho a impressão que ele está diretamente ligado a atitudes egoístas, centradas no próprio ser, individualistas.

Porém, é preciso desfazer essa referência.

Ego não é um conjunto de atitudes, muito pelo contrário; ele é o centro da consciência de um ser humano. A consciência ética é algo do nosso interior, é uma estrutura de pensamento, é um estado decorrente da mente e do espírito. Estudiosos chegam a dizer que ele é a somatória de ideias, pensamentos, sentimentos, lembranças e percepções sensoriais.

As definições de ego variam de acordo com diferentes teorias sobre a mente humana, mas o significado popular do termo refere-se à consciência que cada ser tem de si, à percepção da própria identidade, e até mesmo ao orgulho próprio.

O ego, em si, não é bom nem ruim – Ele é somente a maneira como uma pessoa enxerga a si mesma.

O Egoísmo é que se apresenta como foco negativo; é ele que retrata as pessoas que possuem o foco totalmente centradas nelas mesmas.

O fato é que o ego, por passar uma sensação de consistência, tenta contrapor-se a qualquer coisa que possa ameaçá-lo. E é exatamente aí que ele se torna perigoso, principalmente no mundo corporativo. O ego está ligado ao orgulho próprio, mas não é só isso.

Via de regra, quando o ego é exagerado ele se torna prejudicial, pois a pessoa perde a visão sistêmica, deixa de entender a dinâmica do todo, de perceber que não está só, que todas as ações têm consequências e, com as escolhas voltadas apenas para si mesma e para o benefício próprio, ela deixa de ter os melhores resultados.

No entanto, quando o ego faz a pessoa confiar em si mesma e valorizar o seu potencial, ele pode ser positivo. Entretanto, se ele ofusca a visão de um profissional que se sente o melhor dos melhores, e com isso torna-se prepotente e arrogante, o ego pode ser altamente maléfico para sua carreira profissional. Além disso, sua vida pessoal também sofre as consequências, pois normalmente os relacionamentos são prejudicados.

Pesquisas afirmam que praticamente nove em cada dez profissionais são demitidos por atitude e comportamento; e com o ego inflado, essa estimativa tende a se confirmar ou tornar-se ainda pior. 

Outro aspecto clássico que o ego pode “pegar emprestado” do arquétipo da divindade é a questão de ser o salvador.

É o cara que quer ser o herói e isso pode acontecer com os profissionais de diversas áreas. 

Acho que boa parte de nós pensa ser o salvador. Só que muitas vezes a gente perde.

E aí, como fica?

A vida e a nossa psique naturalmente vai se encarregando de estourar nossa bolha, quantas vezes forem necessárias, até que possamos ficar dentro da medida que nos cabe.

Então no fundo, temos que agradecer aos momentos de revés pois eles nos tiram da ilusão, e facilitam a convivência com o que nos cerca.

Desinflar é algo extremamente necessário para que possamos nos situar adequadamente dentro de nossa realidade.

Só podemos torcer para que as alfinetadas, os arranhões e os tombos venham e com sorte, eles virão em uma medida que possamos aguentar.

Mas esse assunto fica para o próximo artigo…

 

Por Fernanda Carvalho

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